Segunda-feira, 31 de Maio de 2010

... de tudo que possa fugir do meu controle.

Literalmente não é para romances que havia nascido. Toda e qualquer palavra que escrevia na pretenção de uma narrativa amorosa, uma carta, uma poesia, um cartão, uma canção, uma demonstração mais concreta que seja, era frustrada. Não por falta de tentativa.

Quando criança, metida a poeta, rimava "flor" com "amor" e "risadas" com "mãos dadas", mas por que agora falar de amor era tão frustrante? Talvez a percepção de um cenário contemporâneo onde o amor é banal e mundano a frustrava. Discursos clichês, juras em falso, declarações pré-determinadas num manual de instruções que não se vende em livraria, mas está disponível para download na internet.

Essa metodologia de amor pós-moderno a amargurava e a deixava desacreditada. Perguntar para o rádio o que é amor, não é mais uma alternativa como antigamente. Não são grandes clássicos, são diálogos engraçados.

... Não vale nada, mas eu gosto de você... tzzzz... com outro alguém do seu lado... tzzzzz... aleluia irmãos!... tzzzz... eu sou uma bela vadia, neném, eu quero seu romance ruim... tzzzz...

E depois de todas as frequências, de provar todas as melodias, concluiu que não era com contratos comerciais que ia se identificar. Talvez procurando mais profundamente, algo que a completasse.

Procurou definir o mundo como uma história narrada pelo amor. O pôr-do-sol seria um momento inacabável. Todo um gradiente de cores, azuis que se tornariam rosados, laranjas, amarelos, roxos, azuis, laranjas, azuis, laranjas, azuis. E então viria a lua. E o que seria a lua? Seria um absurdo não ser a lua mais redonda e brilhante e  estonteantemente gigante. Para não falar das estrelas que formariam um liga-pontos sem fim diante dum fundo tão negro que seria comparado aos olhos de alguém. O nascer-do-sol não faria por menos, afinal surgiria do meio das montanhas e acordaria lentamente os olhos que repousam. Mas não citou personagens. Só descrevia a paisagem. No fundo era o que mais importava. Os personagens eram sempre relativos e surreais que o amor não se importava. O narrador já poderia ter cada história de cór, mas não deveria revelar os segredos de ninguém.

E ela não acreditava que o amor fosse narrar sua história tão cedo. E nem se preocupava. E nem se importava.

Num mundo que ela inventava, o amor narrava; o cenário, impecável; o enredo, um mistério; os personagens, indiferentes. Mas e o tempo? A eternidade.

aos ouvidos: Los Bife & Vivendo do Ócio & PATD.

por Dani Takase às 02:32
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2 *:
De Leonardo4277556 a 31 de Maio de 2010 às 03:28
Um texto. Milhoes de interpretações. Isso porque eu não me atrevo a colocar a minha aqui, sendo que ela ja pensou em todas elas enquanto escrevia; e porque ainda estou tentando relacionar o título -cry

Enfim, parágrafo das onomatopeias genial =D

Aleluia irmãos! tzzzzzz


De B. a 31 de Maio de 2010 às 22:41
É incrivel como eu sempre me encontro nas sua palavras, tenho orgulho de dizer, sei sobre o que cada uma delas se trata.


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