Domingo, 4 de Julho de 2010

... de fantasmas.

 

Há três dias que nem sequer passa do portão de entrada para fora. Ânsia de que algo ruim possa acontecer? Não. Apenas precaução. Mas era domingo. Domingo de sol tão ferozmente incandescente que nem parecia inverno. Ah, inverno. Veste um sapato com estampa jornalística. Deve ter uma certa paixão por jornais. Uma camisa abstrata e contrastante, um perfume adocicado, passa um batom ousado. Ousadia. Apesar do cenário cotidiano, a trilha sonora surpreendia. As buzinas e a fumaça se afujentam sabe-se lá para onde. Os poucos autos que se atrevem a quebrar esse clima tão confortante, poluem sonorica e visualmente mas o céu de tão límpido parece não se importar.

Há fantasmas perambulando por aí que se atrevem a atordoar a tranquilidade quando todo o ambiente perspirava a seu favor. Ela foi atravessar a rua, desatenta, só se deu contada buzina de alerta quando o perigo já virava a esquerda. Era anúncio - de quê? Outro perigo. Não a esquerda. Vem em sua direção. Straight ahead.

Era uma caminhada que não tomaria mais de cinco minutos. Um caminho geralmente tão pacífico e deserto. Mas depois de tanta desatenção, eis que surge - barba feita, homem feito, juízo? Quem sabe. - a hostilidade, frieza a fez tratá-lo com o desprezo comum. Um sorriso patético de quem se julga desmerecedor é como retribui a sua frieza. Sweet big ass, it's past - rimou. Parece até perseguição, nas ruas, nos jornais, a maneira que conspiram até se encontrar. Patife.

O que aconteceu para que ela seja tão hostil? Não se sabe. Nem ela sabe. "Arruinou minha vida", é o que pensa a princípio. Mas logo percebe que é dramaticidade demais. Desconversa.

Mais um fantasma? Oh, não. Silêncio. Patético. Tudo muito, muito patético. É um fantasma mesmo, camarada, como costumava cultivar. "Ah, não devia ter sido tão rude...", - rude, hostil, fria, gélida. Um muro intranspassável. Misto de orgulho e rancor, raiva, explosão de momento? Cultivou e não há extintor que apague. É a hora do silêncio, preponderoso.

 

Silêncio.

Silêncio dependente de perspectiva. O silêncio que é o vácuo absoluto e absorto de qualquer som. O silêncio compostopor ruídos ambientes, que vai de ondas qubrando ao longe, gorgeio de pássaros num ipê amarelo ou ecos naturais duma selva de pedra. O silêncio que cala, consente, consola e outros inúmeros verbos com C.

O problema dela era ter como melhor amigo todos os tipos de silêncio. Que tal Cilêncio? - não.

 

Um terceiro fantasma aparecera há um tempo. Fantasma a ser tratado depois. Mais que um fantasma.


por Dani Takase às 22:43
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