Sábado, 11 de Setembro de 2010

... de ruínas e desamor.

Não se pode confiar numa criança de seis anos. Não se pode confiar numa criança de seis anos que assiste desenhos enquanto seus pais limpam a casa. Não se pode confiar numa criança de seis anos que reclama quando surge um sonzinho agudo companheiro de notícia ruim.

- Olha, papai, um avião acaba de destruir os EUA.

Era uma manhã de setembro. Uma manhã jamais esquecida.

- Deixe de bobagem, para de ver esses filmes sangrentos e veja seus desenhos.

Por que toda criança é indigna de confiança? Veja, era um avião transpassando um prédio. Era uma visão horrenda e assustadora. Um prédio em chamas, fumaça, sombras, vultos, gritos...

- Não é mentira, eu juro. Olha aí!

Limpar a casa talvez fosse mais importante. A casa estava aqui e agora. Aquilo acontecia onde? Como? Quando?

- Vá brincar, menina... - olhos extremamente arregalados - Nossa! Vem ver, mulher!

A criança olhava descrente. Por que não confiar na palavra dela? E por que um choque tão grande? Aquilo é normal nos filmes não é? É como pular no sofá de um lado para o outro assim e um inimigo vem e... oh! Estou destruída! A menina se joga no sofá e simula uma guerra.

-... um avião vem e atinge uma torre e em seguida vem outro e atinge. Os EUA estão sofrendo um atentado. Tudo nos leva a crer que...

O prédio ruía, boatos incertos. Qual era a procedência daquela coisa... Monstruosa?

- Mas cadê os power rangers?

E se imaginou por alguns segundos naquelas ruínas. Sob elas ou sobre elas, ou antes mesmo de acontecer. Como seria? A sensação. Um desastre, um horror, uma fatalidade. Algo que iria mudar o rumo do mundo? Algo que ia imortalizar aquela manhã. Passaram apenas alguns segundos. Não,  agora ela só queria ver seus desenhos.


por Dani Takase às 22:58
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1 *:
De Farias . a 12 de Setembro de 2010 às 03:42
Qualquer elogio, qualquer coisa que eu escrevesse aqui pareceria simples e vazio como uma redação de colegial perto da grandeza que ese texto passa. Então me limito ao de sempre - dizer que adorei. Mas foi bem mais que isso.


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