Segunda-feira, 30 de Maio de 2011

... da Rainha do Deleite.

 

Elas são apenas tolas demais por se entregarem.

Eles as moldavam como bem entendiam.

Um, costurando-as com suas palavras. Aqueles predicados, só tão abomináveis quanto às más intenções de seus verbos. E ainda dizia não acreditar no amor. Acreditava, portanto, nas pernas cruzadas e nas saias que subiam, velho cretino. Elas, teciam nobres colchas e fronhas, enrolavam-se em cobertas e lençóis. Ele só precisava de remendas nos fundilhos gastos e bolsos rasgados — e que seu zíper fechasse.

"Cada dia sem solidão me enfraquecia. Não que me orgulhasse dela, mas dela eu dependia. A escuridão era como um dia ensolarado para mim."

E com pincel e tinta, outro fazia barbáries. Contrastava as prostitutas e as doces bailarinas, as bêbadas e damas de alta classe. Os saltos altos, as meias-calças, os espartilhos, os penteados. A força e a submissão. O movimento, o corpo. O vermelho vulgar e o rosa casto. Os traços arquejantes das delicadas até as mais ínfimas dançarinas. A audácia e o olhar vazio para uma taça de vinho. A inocência e o olhar curioso às pernas.

Injusto, descobrem a essência das meninas, das mulheres.

Descobrem as cobertas. Cobrem as descobertas.

Faz frio, mas ambos os Henri's as imaginam de mesma forma: "Half-naked and seen from behind".

O que Chinaski e Lautrec teriam em comum é o fascínio, por descrevê-las tão compulsivamente. E ao render-se a elas, às suas negras rendas, seus batons carmim.

E elas continuam tolas. Tolas demais. Por, demasiadamente belas em sua particular doçura, voltarem aos mesmos lençóis. As curvas serpenteiariam no escuro, só seriam vistas seus contornos contra a pouca luz que entra pelas janelas. E ao julgar a arte e a literatura, seriam musas inspiradoras. Seus devotos são também seus carrascos. Contemplá-las-iam, amá-las-iam, deixá-las-iam, no escuro, serpenteando. Em meio ao escuro tanto quanto as próprias seguem nessas mesóclises.

E a Rainha do Deleite não é senão escuro, curvas, carmim e amor.

 

 


Referências: Charles Bukowski, Henri de Toulouse-Lautrec.

 

aos ouvidos: The Fratellis

por Dani Takase às 06:09
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