Sexta-feira, 2 de Setembro de 2011

... de vestígios de sol (amor de cachecol)

"Mas tudo continuou como dantes. Alguma coisa parecia ter mudado.

Mas no fundo, bem no fundo, a vida continuava igual. Mas não tinha importância."


O crepúsculo parecia belo. O gradiente de cores era limitado. Não era o sol que cegava os olhos, mas o sol não era visto. Pôs-se já faz tempo, atrás dos edifícios altos e preponderantes.  Alcançavam o céu antes do próprio astro e permaneciam imperturbáveis depois de sua ida.

O que mais aprisiona são as limitações da visão. O que os olhos vêem e o que podem compreender.

Tudo era imperturbável. Ainda assim, tudo em constante transformação e eram imperturbáveis.

O sol, vestígio de sol, que trespassava construções, atingia os transeuntes que deixavam marcas nas calçadas. Sombras, fantasmas que passavam com pressa. O sol também ia imperturbável. As sombras continuariam em sua fuga da luz. Seriam sombras ausência de luz?

Outros corpos interferem a incidência de luz em outra superfície. Sim, ausência de luz. Segredo, mistério e, não digno, sombras − entristecem o espírito. Nada de sombrio, só não tão iluminado.

E mesmo opaco, frio. Não é porque há luz que fatalmente há calor.

Ele era o adorno simbólico que preenche a lacuna deixada pelo frio. Um amor de cachecol. De algum modo, esquecia-se o frio. Amezinava-o. Um enlace, eis conforto. Obsoleto e absoluto. Apenas — só — não deixava o frio passar. Só, deixou o frio passar. Foi-se, amor de cachecol.

E, sim, no crepúsculo, o dia enfim beijou a noite. Uma mistura de cada insigne quimera de inverno — mesmo as rubras nuances ou as nublosas. Cada memória de inverno.

Sem sombras, sem sol que sopre qualquer segredo. Lua não mingua, cresce — parece sorrir.


por Dani Takase às 02:59
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