Quarta-feira, 14 de Março de 2012

14 de março

um brinde,

não ao poeta, mas

à palavra que eterniza

aos amores todos,

aos horrores todos,

(o feto, o fato-feito,

o funesto)

 

à poesia

eternizada.

 

à forma

e ao

dis

for

me

 

à ideia, ideal,

às idealizações.

ao real,

às irrealizações.

 

ao acaso,

a re-in-spiração

ao ar que o poeta respira

um brinde.

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por Dani Takase às 13:55
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Quinta-feira, 8 de Março de 2012

Me nina, menina

Me nina, menina, me nina

e pra repousar a cabeça, que pesa,

aninho-me em teu peito tão brando, enquanto eu -

sem fôlego, arfava.

Com as mãos, desgrenhavas-me os cabelos

e de mil afagos, fazia e desfazia nós,

desamarrava-me a alma.

Menina, me nina, menina!

Corre!, e quem sabe em sonho,

laços virem nós.

Nós.

Me guia, menina, me nina.

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por Dani Takase às 22:22
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Sábado, 3 de Março de 2012

Extraño

I

 

antes de conocerte, extraño,

eras silencio.

ahora − conocéndote, extraño,

eres palabra muda

y ya te extraño.


por Dani Takase às 22:30
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Sábado, 11 de Fevereiro de 2012

Neruda ao chão

"Cuando yo decidí quedarme claro

y buscar mano a mano la desdicha

para jugar a los dados,

encontré la mujer que me acompaña

a troche y moche y noche,

a nube y a silencio."

 

Neruda foi ao chão.

Com sorte, sorriu para a chuva e escorreu pelos bueiros. Perfuma as fétidas águas da cidade, correndo os canos.

Com sorte, sacrificou-se aos pombos e saciou-os. Agora, corta o vento e segue voo até perder-se de vista. No final da digestão, palavras que escorrem no ombro duma roupa limpa.

Com sorte, derrete ao sol e morre aos poucos. Ora, não seria ainda morte um pouco de vida?

Com sorte, bons olhos pousaram sobre ele, tal como límpidos pensamentos e belos amores. Ilustra, então, uma paixão desenfreada. Sussurra-se ao pé do ouvido, baixo e pausado, sempre-sempre.

Com sorte, foi recolhido e trancado - nas mãos, no bolso, na gaveta, na garganta, no peito. Repousa, solene, em algum canto, encanto.

Com sorte (e que sorte), confundiu-se com outras juras. Entre milagres e falácias. Jurou, que sorte.

Com sorte, despertou um sorriso, desenterrou uma memória, um lampejo de deslumbre.

E (com sorte) alguém inventa agora uma estória.

 

Neruda foi ao chão.

Na noite, na nuvem e no silêncio.

Ella.

Matilde?, assim se chama?, sempre-sempre, aqui ou ali. Eternizou-se.

Talvez assim o poeta nunca morra. Tem qualquer pedaço de chão um pouco de eterno?

Assim, o poeta não morre.

(Chova ou troveje.)

Assim, o poema respira.

 

Por fim, silenciaremo-nos.

Gracias.

 

"(...)

ella, 

déle que déle,

lista para mi piel,

para mi espacio,

abriendo codas las ventanas del mar

para que vuele la palabra escrita (...)"


por Dani Takase às 17:50
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Sábado, 31 de Dezembro de 2011

assim

E ela foi dormir assim,

sorrindo.

E o dia amanheceu assim,

chovendo,

chorando.

 


Post Scriptum

 

E se dormisse, assim

chovendo,

chorando.

Pra amanhecer assim,

assim:

sorrindo.

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por Dani Takase às 16:50
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Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011

... ébria de pó de lua...

Há lá por fora

um luar

que é um divino pecado...

se viesses, meu amado,

se surgisses agora

ao meu olhar,

se me apertasses, trêmula de susto,

ao teu formoso busto...

 

Paira lá fora o luar

a tentar a paisagem,

as almas a tentar;

se viesses, meu selvagem,

com teu querer imperativo e rudo,

com teus modos brutais,

a esta lua macia,

eu tudo

te daria

e mais

e muito mais!...

 

Que seria de mim,

deste meu pobre amor, ai que seria,

se houvesse, noite a noite, um luar assim?

Repara o encantamento

da dor a que te exponho e a que me imponho,

neste mútuo querer de intérmino adiamento.

Gozemos ambos o prazer tristonho,

a ventura dolorida

de prolongar o sonho, que há no sonho

A realidade mais feliz da vida.

 

A lua desce numa poeira fina,

que os seres todos alucina,

que não sei bem se é cocaína

ou luar...

 

Fosse eu agora para a rua,

assim, tonta de lua...

 

Não é noite, nem dia.

Observo, com surpresa,

em toda a natureza

uma triste alegria.

Repara bem que paradoxo no ar,

que dolorosa orgia

em que a alma peca com vontade de chorar!

 

O meu amor por ti é uma noite de lua,

em que há quanto prazer, em que há tortura quanta,

Em que a alegria chora e a tristeza canta,

Em que, sem te possuir, sou toda tua...

 

O meu amor por ti é uma noite de lua,

misto de ódio e paixão com que repilo e quero

todo o teu ser de modo mais sincero,

fugindo-te e sonhando, a cada instante,

Palpitante

de gozo

meu corpo amado e amante.

 

Fosse eu agora para a rua...

Vagabundeia o luar tentando as cousas todas

para prolongamentos, para bodas...

 

Se chegasses, num lírico transporte,

Se chegasses, meu servo e meu senhor,

A vida que valerá e que valerá a morte,

Diante do nosso amor?

 

Ao teu abraço cálido e nervoso,

O etéreo tóxico entorpecente,

pela janela,

chega-me à boca, meus lábios gela...

Que frio ardente!

Embrulho-me num manto, olho o espelho: estou nua.

A alma fora de mim, zombando dos refolhos

em que me abrigo.

A alma a fugir-me pelos olhos,

ébria de pó de lua.

 

Sangrando luz, pendida a trança flava,

uma estrela do além se despenhava...

— Sorriste olhando-a, entristeci-me em vê-la...

 

Com a alma em fogo, pela noite fria,

em vertigens de amor eu me sentia

rolar no abismo como aquela estrela...

 

Gilka Machado, em "Meu Glorioso Pecado",  1928.

 


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por Dani Takase às 21:44
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Domingo, 6 de Fevereiro de 2011

Tons de Sépia

Desbotam-se os rostos,

Desbota-se a cena,

Desbota-se uma lembrança.

Memórias que não são minhas[não me pertencem]*, desbotam.

Desbota-se um quando,

Desbota-se um onde.

Rasuras e dobras que não são minhas,

Desbotam-se.

E o papel foto que imprimiu a vida desbota.

E a vida que agora é vivida desbota.

E a vida de cores vivas desbota.

E então, tudo é[se torna]* tom de sépia.

 

[*notas de quem nunca se contentou em ser poeta]

[original numa segunda-feira, 10 de janeiro de 2011, 4h55; madrugada que desbotava]

[localização do original: perdido no verso de uma foto antiga, no meio de uma edição desbotada de Memórias de Adriano, Marguerite Yourcenar]

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por Dani Takase às 00:56
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Domingo, 19 de Setembro de 2010

... de parafrasear lusitanos.

 

"Um não sei quê, que nasce não sei onde,

Vem não sei como, e dói não sei porquê."

Camões.

 

"Um não sei quê, que nasce não sei onde, vem não sei como, e dói não sei porquê." - pensava, apenas pensava. Era um trecho de um poema que ressoava em sua mente há tempos. Era um trecho que de tão petulante até dava cambalhotas. Por que estava tão certo? Era uma verdade que rompeu séculos e ainda assim traduz e não descomplica um sentimento eterno que se renova de tempos em tempos.

"Um não sei quê", que é afinal? Concreto? Abstrato? Relativo. É o beijo? O abraço? Um sentimento, um medo, uma vontade, um querer, um bem, um mal? É ser ou estar? Verbo, substantivo, adjetivo ou advérbio? Decerto que está relacionado a um sujeito... Mas o que é? Possuir ou pertencer? Sentir ou ser sentido? Conjugar o verbo amar ou deixar-se conjugar...

"...que nasce não sei onde," nasce. Nasce ou já estava lá? Surge, imerge, emerge, transforma, adapta. Metamorfoses. Transforma: por dentro, por fora, ao redor.

"...vem não sei como," repentino, brusco, mal educado, sem pedir licença, ousado, descarado. Traz junto uma bagagem de coisas: tralhas nas quais se desperta apego. Perfumes, lembranças, figuras, sombras, sabores, palavras, datas, saudade.

Saudade "e dói não sei porquê". Aquela saudade inata de não sei o quê, não se sabe como, quando, onde. Muitos advérbios interrogativos. Saudade, palavra ingrata. Inexistente na tradução. Sentir falta. Falta, ausência. "Dói, não sei porquê".


por Dani Takase às 03:26
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Sábado, 21 de Agosto de 2010

... de rima, estrofe e verso.

É quando se tem cinco inocentes anos e a poesia é rimar amor com calor, ama com chama, amor com calor, olho com espelho, ana com banana. E hoje minha insensibilidade só me limita a esdruxular com toda a poética métrica, com a simbologia do ABBA, AABB, ABAB. Usar as mesmas palavras: sol, lua, chuva, amor, calor, sorriso, abraço, beijo, menina, mulher, praia, areia, pequena. O verbo querer em todas as conjugações, número, tempo ou pessoa. A verdade é que eu odeio poesia.

As linhas

Parecem

Todas

Incompletas

Há vazio

Frio

Come,

Devora,

Esvazia

E o fim

É não ter fim.

O dia em que eu chorar lendo uma poesia é o dia que eu me renderei e arrependerei de tanto desgostar e as lágrimas estarão ali pra comprovar. Mas a graça das palavras estão no encaixar. Sem sujeito, nem predicado. Pleta-incom. Perdeu o sentido, e a meus olhos a graciosidade e ferocidade.

Que me perdoem os poetas, o classicismo e até a contemporaneidade, mas as linhas completas numerosas e cheias e aqui vos dizem só estão sendo sinceras. Falar de amor e não ter amor. Falar de abandono e não ser abandonado. A sensibilidade do poema é o inimigo da verdade.

Mas aí me engano, e o poema sabe.

O poema sabe que o silêncio é seu pior inimigo.

E silencia.

E se cala.

E se acalma.

E te desespera.

E o fim

É não ter fim.

 

Dedicado a um filósofo grego cujo nome é aumentativo de plato.


por Dani Takase às 03:18
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