Domingo, 5 de Setembro de 2010

... de jasmim.

Nem se quer sabe se está sendo sincero. Solta um "Estou bem. Não estou cansado. Pareço cansado?" - e boceja logo a seguir. E o que ela queria ver? Sangue? Ciúmes? Felicitações? Indiferença.

Só pela demonstração fria de falta de afeto, deixou claro que tudo era algo de extrema irrelevância.

Era o cheiro que perturbava. Um cheiro que vinha da noite, das sombras, das lâmpadas de sódio - amarelomortas. Um cheiro que mesmo dentre jardins urbanizados, fechada por tijolos e concreto, jasmim - o jasmim?, a jasmim! - a jasmim exalava seu perfume hipnotizador. Ele respirava aquilo como se fosse o único ar compatível com seus pulmões.

As confusões de todo dia. O cheiro de jasmim, afinal de contas, era da flor?, da noite?, das sombras?, ah! Como pôde se deixar perder por esses caminhos. O cheiro era da pele. Pele como pétala - branca, aveludada, macia, tenra. A única diferença talvez fosse os poros arrepiados com o frescor da brisa noturna. Arrepios da flor ou dela? Pétala.

Comparara uma flor a um corpo. A pureza da flor à alma. Cheiro é perfume? Terá ela gosto? Fome? Tem sentimentos? Alguma coisa lhe dizia que a flor não iria lhe responder. Talvez os barulhos da rua, ou os silêncios da noite.

Pontos de luz - é o que chamam de estrelas - não conseguiam iluminar muita coisa. Uma noite sem lua, uma rua escura. Guia-me, jasmim. Leva-me a um lugar melhor. Longe... bem perto. Perto dela, braços dela, perfume dela, seu perfume, guia.

E o que era o perfume de jasmim? Eram as flores preferidas de alguém. Me guia. Chegou. Onde estou? Ele está perdido. Há flores e odores. Aromas e amores. Um cemitério cheio de lápides, nas quais enterrou suas lembranças. De cada cova um jasmim. Em cada epitáfio uma mensagem significativa. A ser esquecida ou a ser relembrada - trecho de música, de verdade, de despedida, de pedido, de briga. Enterrou. Mas a terra só guardou e silenciou. Brotaram jasmins. E o cheiro guia...

aos ouvidos: Cássia Eller & Nando Reis.
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por Dani Takase às 01:26
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Sexta-feira, 3 de Setembro de 2010

... de amores imperfeitos.

Flores nascem surpreendentes de galhos secos. E é setembro. É primavera. E só me dou conta quando vejo flores. Flores e amores. Cores, odores e sabores. E essa rima é o que melhor as define. Setembro.

Quando eu te disse que não precisava esperar, eu menti.

E setembro começa. Começa de um amanhecer dourado e sujo. Simbólico. Não para mim. Inconscientemente sei muita coisa. Observando, descobri muitas coisas. Sem observar, me dei conta de muitas coisas. Medo de estar enganada me faz esquecer muitas coisas que descobri, observei ou me dei conta - inconsciente.

E os vinte-e-poucos Celsius apontam para uma madrugada de peles macias e desnudas arranhando lençóis que mais incomodam do que confortam. E a ideia de mais um dia escaldante é mais pitoresca em contos de fadas.

Que é o alvorecer? Noite? Dia? Dorme? Desperta? Denotativamente não importa. São eles que alvorecem.

Aliás, sonhos. O que são sonhos. Desejos. Amores. Flores. Cores. Sonhos. Cavalo branco num campo florido? Cheiro de relva ou de florezinhas campestres? O vento, uma árvore, um balanço, o vestido, vestido algum, o lago, o anoitecer de um manto escuro respingado de tinta prateada, a  grande bolha prateada, o reflexo imperfeito da lua no lago, corujas? sapos? E um número perfeito. De tão perfeito, imperfeito. Dois.

Sabe qual a doce - e que incrível, não azeda, nem ácida - aroma importuna minhas memórias a esta altura? Um galho donde pendem ramos e folhas e flores e limões. Doce. E imperfeito.

Quando eu disse que tudo daria certo, eu falava sério.

E a esta altura nada é perfeito.

Primavera, para que te quero?


por Dani Takase às 03:58
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Sábado, 24 de Julho de 2010

... de natureza morta e cinzas de rosas.

 

Uma rosa vermelha em meio a tantas outras gamas. A verdade é que ela estava me tentando. Talvez seja meu psicológico - ou emocional - que tenha me guiado a cometer tal crime. A verdade é que ela estava morrendo, morrendo afogada.
Simpatia ou devaneio?
Curiosidade experimental.
Tomo o isqueiro às mãos. Tal crueldade e audácia nunca sentidas, sequer presenciadas. Sempre um medo diante das chamas. Retiro apenas uma pétala. Um vermelho tão forte que confunde os olhos. O fogo não se propaga, desiste de tal feito. Até ele acha que é crueldade demasiada.
A pétala rubra se retorce mas não se desfaz. Luta bravamente e grita - sua dor faz um sonido, um ruído - crepita. Não a venci. Retorcida, distorcida, continua a /ser/ pétala, permanece a /essência/ de /ser/ rosa. Isso não tiraria dela. Manchas escuras - uma pétala rubronegra. Cinzas alvirubronegras. Cinzas de aroma amargo. Engano-me - perdeu todo o /potencial/ de pétala, de rosa, de ser viva. Cometi um crime.
A rosa inteira enfraqueceu, empalideceu, desfaleceu. O vermelho tão vivo parece já morto, sem vida e sem toda sua espirituosidade. E mais que nunca a certeza - cometi um crime.

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por Dani Takase às 02:03
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