Quinta-feira, 2 de Agosto de 2012

Ode às Cerejas

 

Vejo na despensa da minh'alma

irrequietas

cerezas em conserva de saudade

todas nadando no vidro transparente,

olhinhos de chuchu vermelhos, na calda vermelha.

Ri quem não tem colírio (e nem nariz).

 

A musa − vermelha e dentuça − iluminava às segundas-cálidas-feiras.

Utinga veste o manto alviverde − imponente?

gogó de enfeite desceu pro pulso, amante latino,

uns dedos de moça de quem sabe tocar piano.

Só porque a receita do bife leva ajinomoto,

torrada aqui é feita de pão doce e orégano.

urbana a legião, cantava na linguagem que só os cães entenderiam.

− Sabe onde estamos?

 

Mudos falavam e comemoravam aniversários. Truco.

Amigas − não minta − odiavam-me: e todas hão. Seis.

Não me chames Clarice, nem Veríssimo, nem Ono. Nove.

F do carre*our apagou. É doze.

Regdur emprestava-lhe a sunga. Blefe.

Estava com a camisa vermelha sob o manto estrelado das Américas.

Di era o último a sair, chocolate na testa,

infantil I: reprovação.

Na-na-na-nanananaaaa*

Instante, roda gigante, aperto no coração.

 

Vida? − urge por transformação. LET IT BE.

Iríamos ao parque de diversões,

− Tudo bem, querida? − e depois,

apresentar-me-ia os narizes mais altivos! Num parque mais além,

lá onde guardam os segredos dos cinéfilos fazedores de ciências sociais.

 

Bom ombro tem, sabes que tem! E guardo para ti o meu;

− e me ensinou: lá dentro do peito, silêncio é bom também −

seria a voz (desafinada) da tua bondade ecoando:

− Sabe onde estamos? − tudumpás

alegra-me, cereza!, cante mais uma e nunca vá.

 

* ps 1: mais tarde, em mente e em coração, mudaria o verso para "Não fazes ideia da importância que tens pra mim, sim?", mas por questões satíricas, Hey Jude seria mais apropriado. Te amo. Obrigada por tudo, Victor Augustus Manfredini Vital Bessa.

ps 2: Se vier a reencarnar, nasça com um nome menor, não aguentarei outro acróstico-epopeia.

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por Dani Takase às 06:19
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Terça-feira, 17 de Julho de 2012

Sentimental Luta

(para Danielle Takase)

 

"Se eu disser que vi um pássaro

Sobre o teu sexo, deverias crer?"

Hilda Hilst: Do desejo

 

É tarde, a noite nasce

Na salinha de livros, encontro-te debruçada

Em cima de uma leitura longa

Longínqua sensação, quietude

Os olhos fechados como riscos sutis, 

Exuberância até no despertar,

Como quem só dissimula o sono, e não dorme

Imensa a noite cravada na salinha

Quando me diz de teu amor

Livros

 

Arrumados na estante e desarrumados dentro de ti

As capas trapaceiam, são meigas

Ah! Ansiedade em agarrar o instante 

Em que pousas dócil em cima das páginas

Enquanto crianças na rua brincam, eufóricas

Toda essa implacável inocência me constrange

Autonomia descompromissada de um pássaro 

Assim, a levantar vôo quando começo o romance

Sombras, inacessível teu rosto na salinha

Corpos

 

Invadem o cômodo, provocam a eternidade

Minha vigília agora desconcertada e uma falta de ar

O pássaro, negro de tanto querer, pia sermões de libertinagem

Dilacerada qualquer ilusão, corruptível o anjo nu, ninguém imune

Arrepiada até a virgem do quadro que, imóvel, assiste ao ato

Todo o tormento torna-se bom, o pássaro assim livre

Gemidos ecoam em todas as páginas, como é que foram rasgar? 

Opressivo, o duelo já é mais que hábito

Necessidade maníaca de ser/ler, mesmo quando fecho o livro

Risos

 

Enquanto conto tais sutilezas do pensamento, me confortas:

''Poesia é beijo de mãe antes de dormir / Quando ela está ausente''

Desfila pela salinha com o livro de poemas, provocativa

Batalha que recomeça agora com o sabor do real

Diz mais: ''Imundo, este mundo que habito / A letra sem alfabeto''

Não aguento a educação, quero a dança dos corpos

E quem se propõe a desfrutar da salinha, precisa também ser vítima

Mas erro o gesto, poesia não é beijo de ladrão

Ela corre, em fuga... 

 

Por Renato Virginio

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por Dani Takase às 23:55
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Ode às Cerejas

Sentimental Luta

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