Domingo, 19 de Setembro de 2010

... de parafrasear lusitanos.

 

"Um não sei quê, que nasce não sei onde,

Vem não sei como, e dói não sei porquê."

Camões.

 

"Um não sei quê, que nasce não sei onde, vem não sei como, e dói não sei porquê." - pensava, apenas pensava. Era um trecho de um poema que ressoava em sua mente há tempos. Era um trecho que de tão petulante até dava cambalhotas. Por que estava tão certo? Era uma verdade que rompeu séculos e ainda assim traduz e não descomplica um sentimento eterno que se renova de tempos em tempos.

"Um não sei quê", que é afinal? Concreto? Abstrato? Relativo. É o beijo? O abraço? Um sentimento, um medo, uma vontade, um querer, um bem, um mal? É ser ou estar? Verbo, substantivo, adjetivo ou advérbio? Decerto que está relacionado a um sujeito... Mas o que é? Possuir ou pertencer? Sentir ou ser sentido? Conjugar o verbo amar ou deixar-se conjugar...

"...que nasce não sei onde," nasce. Nasce ou já estava lá? Surge, imerge, emerge, transforma, adapta. Metamorfoses. Transforma: por dentro, por fora, ao redor.

"...vem não sei como," repentino, brusco, mal educado, sem pedir licença, ousado, descarado. Traz junto uma bagagem de coisas: tralhas nas quais se desperta apego. Perfumes, lembranças, figuras, sombras, sabores, palavras, datas, saudade.

Saudade "e dói não sei porquê". Aquela saudade inata de não sei o quê, não se sabe como, quando, onde. Muitos advérbios interrogativos. Saudade, palavra ingrata. Inexistente na tradução. Sentir falta. Falta, ausência. "Dói, não sei porquê".


por Dani Takase às 03:26
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Terça-feira, 7 de Setembro de 2010

... de piedade invernal.

As flores secaram de uma hora para a outra. Foi um engano crucial. O frio voltou para avisar que o inverno ainda soprava meus cabelos. Os quinze graus foram só um aviso magoado. 

Me perdoe, inverno, por estar enganada. Como pude confundir, logo você, que me deixa tão inspirada.

Porque tudo no inverno provoca mais, até suspiros são mais prolongados, até o respirar se torna mais difícil. Até o nascer do sol é mais poético, pois ele se torna adorno dos céus, apenas um penduricalho a mais. Não traz calor, mal traz luz, só traz esperança. Esperança? Não! Traz dúvida. Ele nasceu, ele está ali. Era improvável, mas ele está ali. Ele nasceu, e em dia de nuvens fartas você nem o vê, mas sabe que está ali. Expectativa.

Os ventos, traga os ventos, inverno, não os esqueça. Esvoace muitas madeixas, chacoalhe muitas pétalas e galhos, arranque e derrube muitos chapéus, derrube muitas roupas do varal, provoque muitos arrepios. Acima de tudo: faça-os querer calor.

Esqueça da chuva, para que todos sintam falta dela. Adie o quanto puder a volta da garoa. Assim, quando ela chegar, quantos serão os loucos que vão se banhar sob aquelas generosas geladas gotas?

E os ventos mudaram de direção - direção ou sentido? Não se sabe ao certo. Mas sentido, é isso. A diferença do vento é sentida. Na pele, nos poros, nos arrepios.

O inverno não fora rigoroso com ela - comigo em especial - mas sim com as palavras. Mil estórias me passam pela cabeça, giram, brincam, se estapeiam e fogem. Não hoje. Se o vento as desejava tanto deveria ter esbravejado mais, levado-as embora enquanto tinha tempo - e tinha todo o tempo do mundo.

Eu aguardo seu perdão, querido inverno, por meu mundano e leviano engano, com o cachecol nas mãos e um cobertor vermelho jogado na cama desarrumada.

no momento: demasiada inspirada.
aos ouvidos: When the day met the night - PATD

por Dani Takase às 02:13
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Quarta-feira, 28 de Julho de 2010

... de cacos afiados (ou suicídio do copo*)

Rancor. Um sentimento tão ruim e mal visto embora inconsciente e incontrolavelmente o mais sincero de todos.
Eram dois pares de olhos saltitantes e exorbitados à sua frente - acusadores e ainda assim piedosos. Indignos. Ao seu lado esquerdo olhos justos e quase acolhedores. Olhos dispostos a julgar e consolar. Dignos. A seu lado direito a mais nobre presença do nada e do ninguém. (In)digníssimos.
E sabe o que a ira causa nas pessoas? Fúria momentânea, cegueira temporária, ações impensadas, uma grande chance de arependimento tardios e perdas materiais - que a ficção representa mui dignamente por vasos, pratos, copos e taças, pois a quebra do vidro é muito sugestiva, tal qual os cacos da porcelana.
Mas o barulho estridente da queda e o mesmo de um chacoalhão acompanhado de um "cai na real" - é que a sobriedade dói, e dói como o quebrar do vidro e grita como a estridente porcelana ou vice-e-versa. É a digníssima realidade.


por Dani Takase às 02:00
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